Dólar cai e fecha abaixo de R$ 5,20; Bolsa de Valores sobe com dados dos EUA

Economia Mercado 01/10/2026 08:17 Wellton Máximo - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

O dólar comercial caiu 0,76% nesta quarta-feira, fechando a R$ 5,174, em um dia de alívio global. A queda foi impulsionada por dados de inflação nos Estados Unidos que vieram abaixo do esperado, o que reduziu a pressão por novos aumentos de juros na economia americana. No Brasil, a bolsa de valores (Ibovespa) subiu 1,37%, acumulando um ganho de mais de 5% no mês de setembro, favorecida pela entrada de dinheiro estrangeiro e pela boa percepção do cenário local.

Em um dia marcado pela tranquilidade global no mercado financeiro, o dólar caiu cerca de 1%, encerrando o mês de setembro com uma pequena queda. A bolsa brasileira avançou quase 1,5% na sessão e acumulou alta de pouco mais de 5% no mês.

Os mercados reagiram principalmente aos dados de inflação dos Estados Unidos que ficaram abaixo das expectativas, o que reduziu a pressão por novas altas de juros pelo Federal Reserve (o Banco Central americano). No Brasil, o cenário eleitoral e a formação da taxa de câmbio de fim de mês também influenciaram os negócios. O petróleo fechou em alta, com as tensões no Oriente Médio ainda no radar dos investidores.

  • Dólar à vista: R$ 5,174 (queda de 0,76%)
  • Dólar no mês de setembro: queda de 0,15%
  • Ibovespa: 186.340,46 pontos (alta de 1,37%)
  • Ibovespa no mês de setembro: alta de 5,03%
  • Petróleo Brent: US$ 98,03 (alta de 1,94%)
  • Petróleo WTI: US$ 90,42 (alta de 1,16%)

Dólar fecha em queda

O dólar comercial encerrou o pregão com uma queda de 0,76%, valendo R$ 5,174. Durante a sessão, a moeda chegou a cair 0,95%, atingindo a marca mínima de R$ 5,164 por volta das 9h50 da manhã.

No acumulado do mês de setembro, o dólar registrou uma baixa de 0,15%. No terceiro trimestre do ano, porém, a moeda avançou 0,23%. Em 2026, até agora, a moeda acumula uma queda de 5,75%.

Dados de inflação nos EUA animam mercado

O principal fator externo para o comportamento do câmbio foi a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos. O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% em agosto. A expectativa dos analistas era de uma alta de 0,3%.

O PCE cheio (que inclui todos os itens) avançou 0,3% no mês, abaixo da projeção de 0,4%. Esses dados reduziram as apostas em uma nova elevação dos juros americanos em outubro e pressionaram para baixo os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Bolsa brasileira avança com dinheiro estrangeiro

No mercado brasileiro, o real teve um bom desempenho entre as principais moedas da América Latina, em um ambiente de maior procura por ativos locais. O cenário eleitoral permaneceu no radar dos investidores, sem que os dados de pesquisas fossem o fator determinante para a análise do pregão.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,37% nesta quarta-feira, aos 186.340,46 pontos. O índice chegou a 187.834,97 pontos na máxima e marcou 183.879,71 pontos na mínima.

Resultados no acumulado do ano

Com o resultado de hoje, a bolsa brasileira acumulou alta de 5,03% em setembro. No terceiro trimestre, o avanço foi de 8,32%. Em 2026, o Ibovespa acumula valorização de 15,65%.

O movimento foi impulsionado principalmente pelas ações de bancos e por setores ligados à atividade econômica interna. O ambiente externo também favoreceu os ativos de risco depois que os dados de inflação dos Estados Unidos vieram abaixo das expectativas.

Fluxo de capital e petróleo

O fluxo de capital estrangeiro ajudou a sustentar o desempenho da bolsa ao longo do mês. Segundo dados da B3, até 28 de setembro, houve entrada líquida de R$ 9,569 bilhões de investidores estrangeiros no mercado acionário brasileiro. No ano, o saldo acumulado é positivo em quase R$ 29 bilhões. Em agosto, os investidores estrangeiros haviam retirado R$ 18,1 bilhões da bolsa. Em julho, o saldo havia sido positivo em R$ 4,3 bilhões.

Os contratos futuros de petróleo encerraram a quarta-feira em alta, com as tensões no Oriente Médio mantendo-se elevadas e o mercado acompanhando a situação no Estreito de Ormuz. Na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, o Brent para dezembro subiu 1,94%, ou US$ 1,87, para US$ 98,03 por barril. O petróleo WTI para novembro, negociado em Nova York, avançou 1,16%, ou US$ 1,04, para US$ 90,42 por barril.

Em setembro, o WTI acumulou alta próxima de 6%, enquanto o Brent avançou cerca de 7%. O mercado também acompanha possíveis restrições às exportações de diesel pelos Estados Unidos e a extensão, pela Rússia, da proibição de exportação do combustível até o fim de outubro. No Oriente Médio, um navio-tanque foi atingido por um projétil de origem desconhecida no Estreito de Ormuz, mas as exportações da região estão se recuperando com o uso de rotas alternativas. Nos Estados Unidos, os estoques de petróleo subiram de forma inesperada na semana passada, enquanto os de gasolina caíram.