Petrobras encontra petróleo de alta qualidade na Foz do Amazonas e abre nova fronteira

Economia Petróleo 03/10/2026 08:16 Rafael Cardoso - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Rio de Janeiro RJ

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, em águas ultraprofundas da Foz do Amazonas. O óleo extraído é leve e de baixa viscosidade, o que indica alto valor comercial. A estatal planeja novos testes em 2027, enquanto o Ministério Público Federal pede a suspensão das atividades devido a riscos ambientais.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta sexta-feira (2) que a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas, eleva as expectativas da estatal para a abertura de uma nova área de exploração no Brasil. A confirmação é vista como um avanço estratégico para o setor energético nacional.

O poço, identificado como 1-BRSA-1405-APS, opera em águas ultraprofundas, a 2.886 metros de profundidade do mar, a 175 quilômetros da costa do Amapá. A localização estratégica coloca a região como foco de investimentos futuros.

  • Segundo a EPE, a bacia da Foz do Amazonas pode conter até 10 bilhões de barris de óleo equivalente.
  • A primeira descoberta no mesmo poço Morpho ocorreu em agosto de 2026.
  • A qualidade do óleo é descrita como maravilhosa, com baixa viscosidade e alta leveza.
  • Novos poços de delimitação serão perfurados no primeiro trimestre de 2027.
  • O MPF pediu a suspensão da licença ambiental alegando vazamentos e falta de consulta a comunidades locais.

Magda Chambriard afirmou: Ainda não podemos garantir, mas tudo indica que estamos realmente abrindo uma nova fronteira exploratória. Existe o otimismo de que essa fronteira ajude a mitigar o déficit de produção no Brasil. Não sabemos se vamos ter uma descoberta com valor comercial, mas tudo indica que sim.

Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode atingir 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Essa medida considera a soma entre barris de petróleo e metros cúbicos de gás natural.

Qualidade do petróleo e valor comercial

A primeira descoberta de petróleo no poço Morpho havia ocorrido em agosto deste ano. Com a nova confirmação, a presidente da Petrobras destacou: Todas as etapas até agora estão confirmando as anteriores e esquentando a área. A cada nova notícia, estamos aumentando o valor destas áreas exploratórias para a Petrobras. Estamos esquentando o Amapá, o estado está ficando mais valioso a cada dia.

Durante a coletiva de imprensa, Magda Chambriard exibiu uma amostra física do óleo extraído do poço Morpho. Questionada sobre a qualidade do produto, ela definiu o óleo como maravilhoso e de baixa viscosidade, características desejáveis no setor.

Próximos passos da exploração

O grau API exato, indicador que mede a leveza e a densidade do óleo, bem como outros detalhes técnicos, permanecem sob sigilo regulatório. No mercado de refino, óleos mais leves e de menor densidade possuem maior valor comercial devido ao menor custo de processamento.

A Petrobras obteve autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar áreas na Foz do Amazonas em outubro de 2025. A licença é vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

A conclusão dos testes e manobras no poço Morpho deve se estender até o final de outubro. Em seguida, a plataforma de perfuração será desmobilizada e transferida para o Rio Grande do Norte, onde iniciará, em novembro, a perfuração do prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.

Para a Foz do Amazonas, especificamente no Bloco FZA-M-59, o planejamento prevê uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027. A operação terá como objetivo a perfuração de três poços de delimitação, fundamentais para avaliar o volume das jazidas e definir a viabilidade comercial do empreendimento.

Debates ambientais e jurídicos

Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal (MPF) voltou a solicitar à Justiça a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas. A medida visa proteger a ecologia da região amazônica.

A ação, protocolada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), requer a paralisação imediata de qualquer atividade de perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59.

O MPF argumenta que fatos recentes comprovam a insegurança da atividade na região, citando especificamente o vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar durante a operação de uma sonda em janeiro deste ano.

Para os procuradores, outro ponto central é a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas e às comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Amapá e do Pará. Esse direito é garantido pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).