O presidente Lula autorizou a criação de uma nova divisão na Polícia Federal, focada em combater as apostas online ilegais (bets), manipulação de esportes e lavagem de dinheiro com criptomoedas. A mudança oficializa a repressão após a proibição das apostas de quota fixa no Brasil.
BRASÍLIA, DF - A Polícia Federal (PF) planeja reorganizar suas equipes para criar uma divisão específica dedicada a reprimir as apostas ilegais no país. Segundo fontes do governo, a reforma da corporação já recebeu a aprovação final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O novo organograma também prevê setores especializados para combater a manipulação de resultados esportivos e investigar o uso de criptomoedas na lavagem de dinheiro. A proposta foi formalizada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao Ministério da Justiça na sexta-feira (25). Curiosamente, essa data coincide com a assinatura da Medida Provisória (MP) que torna ilegais as apostas de quota fixa (bets).
- A PF vai criar a Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro (CGLA), vinculada à Diretoria de Combate ao Crime Organizado.
- Dentro da CGLA, nascerão serviços específicos para rastrear crimes financeiros com ativos virtuais e recuperar bens apreendidos.
- Serão criadas duas novas divisões: uma para investigar apostas ilegais e outra para combater a manipulação de jogos de futebol.
- O plano envolve a criação de 17 novas unidades administrativas, com um custo mensal adicional estimado em R$ 44,9 mil.
- Em 2025, a PF apreendeu R$ 71 milhões em criptomoedas, valor muito superior aos R$ 11,1 milhões apreendidos no ano anterior.
Histórico das apostas no Brasil e a decisão de banir
Os dados internos da PF mostram que a medida tem impacto financeiro mensal de R$ 44,9 mil devido à criação de novas estruturas. Para o governo, a repressão às apostas ilegais é uma prioridade máxima após a decisão de banir as bets. Inicialmente, o presidente havia considerado uma proposta mais suave, que proibiria apenas os cassinos online (como o jogo do tigrinho) e regulamentaria a publicidade das casas de apostas.
Contudo, Lula optou pela via mais drástica, vetando todas as modalidades de apostas online. Auxiliares do presidente reconhecem que essa foi uma decisão de alto risco: se a repressão falhar e os sites ilegais continuarem a operar, o governo pode perder a credibilidade perante a população. Por isso, reforçar a fiscalização tornou-se uma necessidade urgente.
Evolução regulatória e a nova estrutura da PF
As apostas online foram autorizadas durante o governo Michel Temer (2016-2018) e permaneceram sem regras claras durante o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022). Em 2024, o governo Lula começou a regulamentar a atividade, focando na cobrança de impostos. Em maio de 2025, às vésperas da Copa do Mundo, a PF criou um grupo temporário para investigar fraudes, mas a nova estrutura agora proposta tem caráter permanente, sinalizando que o combate é uma prioridade de longo prazo.
O documento oficial propõe a criação da Coordenação-Geral de Repressão à Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos (CGLA). Essa nova área ficará ligada à Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, o mesmo setor que investiga casos de grande repercussão, como as fraudes no INSS e o escândalo do Banco Master.
Foco em criptomoedas e recuperação de ativos
Dentro da CGLA, será criada uma Coordenação de Inteligência Financeira e Lavagem de Dinheiro. Um dos focos centrais será a investigação de crimes usando ativos virtuais. A PF relatou que apreendeu R$ 71 milhões em criptomoedas em 2025, um salto significativo em relação aos R$ 11,1 milhões do ano anterior, mas que ainda é pequeno diante dos bilhões movimentados pelo crime organizado.
Também será criada a Coordenação de Recuperação de Ativos, responsável por gerenciar, vender e destinar os bens apreendidos de criminosos. Atualmente, essas funções estão em setores com status menor; a promoção a coordenadoria dá-lhes maior poder e relevância dentro da hierarquia da Polícia Federal.
Além disso, o plano prevê a criação da Divisão de Repressão a Apostas Ilegais e da Divisão de Repressão à Manipulação de Resultados Esportivos. Serão 17 novas unidades no total, reutilizando parte das estruturas existentes da antiga Coordenação de Repressão à Corrupção.
Justificativa oficial e resultados da operação
No documento enviado ao Ministério da Justiça, Andrei Rodrigues afirmou que a reorganização visa fortalecer a capacidade da PF para enfrentar o crime organizado economicamente. O objetivo é integrar a repressão à lavagem de dinheiro, a inteligência financeira e a recuperação de ativos em uma estrutura central única.
A PF explicou que a nova estrutura unirá todas essas áreas sob uma direção única, facilitando a localização e apreensão de bens. "Busca-se favorecer a identificação tempestiva de bens e a cooperação para a recuperação de ativos no Brasil e no exterior", declarou a corporação.
Na terça-feira (29), o Ministério da Justiça informou que solicitou o bloqueio de 5.209 sites de apostas que passaram a operar ilegalmente após a medida provisória de Lula. A PF confirmou que investiga esses esquemas há três anos. Entre março de 2023 e agosto de 2026, a força-tarefa deflagrou 12 operações, resultando em 73 mandados de busca e apreensão e 15 prisões em estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.
No mesmo período, a PF pediu à Justiça o bloqueio de R$ 4,17 bilhões em bens ligados às investigações. A corporação também participa de uma força-tarefa internacional com a Interpol para trocar informações sobre a manipulação de esportes, reforçando seu papel no combate global a esse tipo de fraude.

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