O músico, criado no Morro do Dezoito, na Zona Norte do Rio de Janeiro, se apresenta no Espaço Favela e celebra a realização de um sonho.
A contagem regressiva começou: falta um mês para o Rock in Rio! A expectativa é grande, principalmente para quem vai se apresentar pela primeira vez no festival, como o cantor Hitmaker. Criado no Morro do Dezoito, na Zona Norte do Rio, ele é um dos grandes nomes do funk e do pop e será o segundo a subir no Espaço Favela na abertura do evento, dia 4 de setembro.
- Hitmaker começou a carreira para alegrar a avó, que estava doente e triste.
- Ele economizava o dinheiro do lanche para comprar revistas de cifras e consertar o cavaquinho.
- A primeira vez que pisou no Rock in Rio foi em 2024, convidado por Akon, e sua filha de 9 anos foi a responsável.
- A voz do bordão 'Hi-t-ma-ker' nas músicas é da filha dele, Maitê.
- O festival terá uma venda extraordinária de ingressos na próxima quinta-feira para quem quer garantir presença.
O Rock in Rio representa muita coisa na minha história. Como compositor, produtor, fã... Sempre quis ter uma música que tocasse no festival, diz o músico, relembrando: Meu primeiro contato com ele foi quando escrevi a canção 'Favela chegou' e o público gritava a letra nos shows de Anitta e Ludmilla. Foi a realização de um sonho para um cara criado no Morro do Dezoito.
O convite inesperado
Hitmaker sempre quis curtir o festival, mas nunca teve a chance antes. A primeira vez que pisou na Cidade do Rock foi em 2024, quando foi convidado por Akon para tocar um remix de um de seus hits no Palco Mundo, o principal do evento. A participação aconteceu graças a um pedido especial de Maitê, sua filha de 9 anos.
Tudo começou por causa de um remix que fiz para minha filha. Toda vez que a levo e busco na escola, coloco uma música que ela gosta, mas na minha versão. É um combinado nosso. Ela escolhe a canção, eu remixo e nós dois curtimos. Na época, Maitê escolheu 'Lonely', do Akon. Coincidentemente, somos da mesma gravadora. Marcaram um encontro entre nós antes do show dele, fiz o pedido como fã para que ele colocasse o funk no palco, mostrei o remix e recebi o convite.
Uma filha que é a cara do pai
Agora, Hitmaker terá um show próprio no Espaço Favela. E Maitê já é presença confirmada na plateia: A voz do 'Hi-t-ma-ker' é dela, isso é um marco. Ela sempre quis ir ao Rock in Rio, mas ainda não podia por ser muito novinha. Na última edição, queria ter levado, mas foi tudo muito rápido e fiquei receoso de estar sendo convidado e ainda pedir para levá-la. Agora, será muito especial. Minha filha vai entender que nunca deve desistir dos sonhos dela.
Uma história de superação por Dona Nice
Hitmaker, que é cantor, produtor e compositor, tem músicas em parceria com Ana Castela, Tati Quebra Barraco e outros artistas. Mas o sucesso veio depois de uma infância complicada. Ele foi criado pela avó, uma super fã do grupo Só Pra Contrariar.
Sou de Piedade, Água Santa, onde quase toda a minha família mora. As coisas nunca foram fáceis, porque não tínhamos uma condição financeira boa. A música sempre esteve presente na minha história, e tudo começou pela minha avó, conta. Quando eu tinha 12 anos, ela adoeceu, teve câncer e outros problemas. Na época, não entendia o que era depressão. Ela ficou quietinha, não podia fazer nada. Senti que precisava fazer algo.
Quando Nice adoeceu, a família estava sem televisão. Foi quando Hitmaker teve a ideia de pedir emprestado o cavaquinho de um vizinho para entreter a avó. O instrumento tinha apenas duas cordas e um papelão atrás, colado por ele mesmo.
Me sentei na cama da minha avó, toquei e cantei; ela dormiu. No dia seguinte, ela disse: 'Vai não me botar para dormir de novo' Foi a primeira vez que vi a ficha técnica de um CD. Li que existia compositor, produtor, músico, arranjador... Descobri que não era o Alexandre Pires quem fazia tudo sozinho e entendi por que minha avó gostava tanto dele. Pensei: 'Preciso ser igual a ele'. Prometi: 'Vó, vou consertar esse cavaco, aprender a cantar, conhecer o Alexandre Pires e tocar na rádio. Tudo pela senhora'.
O sacrifício pelo sonho
O artista, que hoje tem um espaço só seu em um dos maiores festivais do mundo, enfrentou muitas dificuldades para começar.
Eu tinha R$ 2 por dia para ir e voltar da escola de ônibus, mas ia a pé. Deixava de comer para juntar o dinheiro e comprar revistinhas de cifras e consertar o cavaquinho. Era conhecido como menino do cavaquinho, porque estava sempre com ele embaixo do braço. Meus amigos me incentivavam. Um professor de matemática, que era tecladista, começou a me dar aulas de teoria musical. Depois de três meses, estava indo para casa mostrar para minha avó a música que ela mais gostava, mas ela faleceu no mesmo dia.
Desde então, ele decidiu se dedicar à carreira de músico para honrar as promessas que fez à avó: Eu falo que o menino Wallace (nome do músico) morreu naquele dia. Dali em diante, não soube mais o que é jogar bola, soltar pipa, nada. Só faço música. Comecei como compositor, depois fui virando cantor, comecei no pagode, embora muita gente não saiba. Assinei um contrato errado no meio do caminho... e depois me envolvi com o funk. Agora estou aqui, compondo, produzindo, cantando e cumprindo o que prometi.
Realização e representatividade
Como fã do Rock in Rio, vivo uma grande realização ao me apresentar no festival. Era uma coisa muito distante para mim. Agora terei um show no Espaço Favela, e isso é ainda mais especial. Muitos de nós achamos que não dá para fazer, que não dá para chegar lá. Mas, por causa da teimosia do brasileiro, a gente faz as coisas acontecerem. É a realização não só de um sonho meu, mas a representatividade de muitos outros sonhos periféricos estarem naquele palco.
Venda extraordinária
O Rock in Rio 2026 anunciou uma venda extraordinária de ingressos para todos os dias do festival na próxima quinta-feira, às 12h. O evento acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. As vendas serão realizadas exclusivamente no site oficial da Ticketmaster Brasil.

Hitmaker, que deixou de lanchar para consertar cavaquinho, celebra primeiro show solo no Rock in Rio Foto: Divulgação/Rock in Rio







