Wagner Moura: 'Pobre podia ser de esquerda? Agora não posso?'

Entretenimento Política 05/08/2026 09:01 Redação Bahia Notícias bahianoticias.com.br

No programa 'Conversa com Bial', o ator Wagner Moura rebateu críticas sobre seu posicionamento político, defendendo que a crença em justiça social não deveria depender da condição financeira. Ele ironizou acusações de hipocrisia por sua vida confortável nos EUA e destacou o papel das leis de incentivo à cultura na sua carreira.

No programa 'Conversa com Bial' da última terça-feira (4), Wagner Moura falou sobre seu posicionamento político na Globo e revelou que ainda recebe julgamentos por se considerar de esquerda, mesmo tendo uma boa condição financeira.

O que ele disse

Para o baiano, não faz sentido as pessoas acharem que alguém que prosperou não pode acreditar em justiça social. "Quando eu estava lá em Rodelas [cidade na Bahia] e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né Parece que existe um portal pelo qual você passa. Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social", afirmou.

  • Wagner Moura mora nos EUA há cerca de 8 anos com a esposa e três filhos.
  • Ele ironizou as acusações de hipocrisia por ter uma vida confortável.
  • O ator destacou que prosperou graças a leis de incentivo à cultura em Salvador nos anos 90.
  • Ele disse que quer debater com a direita, mas teme ataques pessoais.
  • Moura reforçou que defende justiça social independentemente de sua condição atual.

O ator ainda ironizou as acusações de hipocrisia por morar fora do Brasil e ter uma vida confortável. "Eles falam: 'Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência'. Eu não entendo essa crítica. Eu sou o mesmo cara que estava em Rodelas, que presenciou o trabalho escravo e cujo pai era sargento. Eu sou esse cara."

Carreira e políticas públicas

Wagner ainda exaltou as políticas públicas de incentivo à cultura existentes e reforçou que sua carreira como um grande nome do cinema brasileiro só existiu graças às leis em Salvador na década de 90. "Eu prosperei porque, em Salvador, nos anos 1990, havia uma lei de incentivo à cultura que fez com que eu, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos pudéssemos trabalhar, construir uma história e ter uma carreira de ator. Eu prosperei por isso."

Debate com a direita

O ator revelou ter interesse em um debate com representantes da direita, no entanto, teme que momentos como esse acabem se tornando um espaço para ataques pessoais. "Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles sobre os assuntos que essa peça traz. Acho uma discussão super válida: o Estado tem que ser pequeno ou grande Quanto o Estado tem que gastar Isso é fundamental. [...] Essa discussão é muito boa, mas ela não acontece... O papo dos caras é: 'Ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, então não pode falar do Brasil', 'ele prosperou na carreira, como pode ser de esquerda', 'não é gay e defende gay', 'não é preto e defende preto'."