O infarto atinge mulheres de forma diferente dos homens. Os sintomas costumam ser mais sutis, o que dificulta o diagnóstico rápido. Após a menopausa, o risco aumenta significativamente, mas a prevenção e a atenção aos sinais podem salvar vidas.
Durante muito tempo, o infarto do miocárdio foi visto como uma doença exclusiva de homens. No entanto, a realidade mostra que, embora ainda seja mais comum no sexo masculino, a condição representa uma ameaça séria às mulheres. Muitas delas chegam ao hospital em estado grave porque não reconhecem os sintomas a tempo.
- 43% das pessoas no mundo com doença cardíaca isquêmica são mulheres.
- 66.907 mulheres brasileiras com menos de 60 anos morreram de infarto entre 2015 e 2024.
- Após a menopausa, fatores como pressão alta e diabetes aumentam o risco cardíaco.
- Dores nas costas, mandíbula ou no abdômen podem ser sinais de infarto, não apenas no peito.
- Estudos mostram que mulheres têm menos chances de receber o tratamento correto no início.
O que os números mostram
Em 2021, cerca de 254 milhões de pessoas no mundo viviam com doença isquêmica do coração. Destas, aproximadamente 43% eram mulheres. Relatórios globais de doenças indicam que a diferença entre homens e mulheres em casos novos e prevalência tem diminuído nas últimas décadas.
No Brasil, dados do DATASUS mostram 66.907 mortes por infarto entre mulheres com menos de 60 anos, de 2015 a 2024. Somente em 2024, foram 6.247 óbitos nesse grupo. A redução recente não apaga a gravidade de mais de 6 mil mortes anuais entre mulheres relativamente jovens.
Riscos ao longo da vida
Em média, as mulheres desenvolvem a doença cardíaca e sofrem o primeiro infarto mais tarde do que os homens. Isso acontece, em parte, pela proteção natural durante a fase reprodutiva. Contudo, após a menopausa, fatores como pressão alta, colesterol alterado, gordura na barriga, resistência à insulina e diabetes ganham força. O envelhecimento muda o perfil de risco, mas não torna o infarto inevitável.
Nem todo infarto vem de um entupimento grande das artérias. Mulheres, especialmente as mais jovens, têm proporcionalmente mais casos sem obstrução importante. Elas também são mais afetadas por uma ruptura espontânea na parede do vaso sanguíneo, o que impede o fluxo de sangue.
Sintomas que passam despercebidos
A dor no peito continua sendo o principal sinal do infarto feminino. Ela pode surgir como pressão, peso ou aperto no peito, acompanhada de suor frio, náusea ou falta de ar. No entanto, as mulheres também podem sentir cansaço extremo e desconforto nas costas, mandíbula, pescoço ou parte superior do abdômen. Muitos desses sintomas são ignorados porque não lembram a dor clássica no peito.
Atribuir esses sinais a ansiedade, refluxo, estresse ou dores musculares pode atrasar o atendimento. Cada minuto sem restaurar o fluxo sanguíneo aumenta o risco de dano no coração, insuficiência cardíaca, arritmias e morte.
Um grande estudo populacional publicado em 2023 constatou que mulheres atendidas por dor no peito tiveram menor probabilidade de receber diversas medidas recomendadas pelas diretrizes médicas, tanto antes quanto depois de chegar ao hospital. Entre pacientes com o tipo mais grave de infarto, a taxa de mortalidade foi maior nas mulheres.
Prevenção e avaliação do risco
A avaliação preventiva deve incluir detalhes da história de saúde da mulher. Condições como pré-eclâmpsia, diabetes na gestação, pressão alta durante a gravidez, menopausa precoce, doenças autoimunes e tratamento contra câncer, além de histórico familiar de infarto precoce, justificam um acompanhamento médico mais atento.
Um único exame não garante proteção para a vida toda. Colesterol, pressão arterial, nível de açúcar no sangue e peso corporal podem mudar com o passar dos anos. Por isso, a prevenção exige check-ups regulares.
Como agir
Os dados mostram que milhões de mulheres vivem com doença no coração e milhares de brasileiras jovens morrem todos os anos por infarto. A boa notícia é que grande parte desse risco pode ser identificada e modificada antes que aconteça o primeiro evento cardíaco.
A prevenção deve começar antes da menopausa e continuar por toda a vida adulta. É fundamental conhecer a pressão arterial, o colesterol e a glicemia; não fumar; praticar atividade física regularmente; cuidar da alimentação e do peso; levar em conta o histórico da gravidez e buscar atendimento médico rápido diante de qualquer sintoma suspeito.
O infarto é uma emergência em que cada minuto conta. Para reduzir a mortalidade entre mulheres, é preciso reconhecer cada sintoma, avaliar o risco com antecedência e tratar sem atrasos.

Giulia Bertelli/Unsplash


